18.7.08

Não sei onde estás agora, o que fazes,
se bordas ainda a colcha antiga, com todas
as cores das telas rasgadas,
atiradas ao chão,
não sei,
solitária estrela do anoitecer,
onde deixaste a luz que batia ternamente nos
espelhos negros das
minhas madrugadas sem água,
a luz que um deus cruel roubou aos pássaros
dos teus olhos escuros.
Não sei se chove.
Agora,
talvez caminhes sem rumo através dos
quartos,
numa casa onde já nada se ouve,
nem os acordes da alma,
nem a respiração da orquídea,
numa casa onde as portas se fecharam para
sempre,
e a cortina se não move.
É uma casa sem vinho,sem pão, sem as
altas fogueiras de um sol eterno,
talvez o mesmo sol que hoje cai sobre este
cais que nunca viste,
este cais onde regressarei depois de um longo
e mortal exílio,
para dizer-te como isto dói,
estes barcos que voltam a partir de uma ilha
e do meu coração,
estes barcos que são a minha própria voz,
rouca e devorada pelo sal,
a dizer-te adeus.


Obrigada ao S. , pelas palavras doces.

1 comentário:

finestamp disse...

não conhecia e gostei.