25.7.08

Para agradar.


Sempre me fez confusão o calculismo nas relações. Conheço algumas pessoas que vivem plenamente dessa forma, aquilo que, para mim, só pode ser vivido com o coração e o impulso. Assim fui construindo a minha vida emocional, assim me fui magoando e magoando alguém, mas, sobretudo, assim fui tendo as maiores alegrias da minha vida. Contudo, e tendo em conta que o passar do tempo nos ajuda em tantas coisas, creio ter limado algumas arestas incomodativas que me arrastavam algumas vezes para uma espécie de precipício de mim mesma. Talvez me tenha fartado de viver no presente. Demorei a chegar a esta conclusão, mas vi tanta coisa dar uma volta de 180 graus com o tempo que não consigo perder a cabeça por coisas que acontecem hoje, seja no campo relacional, seja no campo profissional.

Este texto devia ter tomado outro caminho e vou portanto forçar a barra: se não entendo o calculismo (ou começo agora, depois de intensivos e forçados cursos de formação sobre o assunto : ), a entendê-lo e a pô-lo em prática), não entendo também aquela forma inconsequente de se estar na vida que implica vomitar tudo o que se sente à primeira oportunidade (sem deixar que amadureça), avançando certezas e, imagine-se, apresentando um sentimento como um produto que se quer vender e que vai satisfazer as necessidades do potencial "consumidor", salvo seja. Nunca repararam nestas estratégias foleiras de aproximação entre as pessoas? Eu gosto de ti e, portanto, se tu não gostas ou não reparas é porque ainda não viste o que estás a perder e eu vou mostrar. Como se fôssemos uma montra e o facto de não sermos correspondidos tivesse a sua razão de ser no facto de ela estar mal arrumada. Estou em crer que, o grande problema da maior parte das relações é as pessoas irem arrumando a montra para parecer bem e ficarem à espera de ver do outro lado a coisa aprumar-se a seu gosto também. Para agradar.

1 comentário:

finestamp disse...

para agradar. temporariamente.